A verdade do outro não é a mesma que a sua
Se tem algo que aprendi - e venho aprendendo - ao longo dos meus vinte e poucos anos, é que cada pessoa vive a partir de sua própria narrativa. Não importa o quanto você considere injusto ou que acredite fielmente no oposto: as pessoas vão acreditar no que acreditarem.
A gente cresce querendo que todo mundo enxergue o que é certo e queremos estar do lado bom da história. E conforme vamos nos deparando com as situações da vida, percebemos que muitas verdades podem existir simultaneamente; justamente porque uma situação envolve diferentes perspectivas, dependendo de cada pessoa que é atingida por ela.
Por muito tempo dediquei toda a minha energia em tentar convencer os outros de que sou uma boa pessoa, só para no final entender que isso realmente não importa. Precisamos quebrar essa percepção de que as coisas só podem ser duais: de que em uma história, existe o bom e o mau. Com exceção de casos mais intensos, na grande maioria das vezes são tantas variáveis compondo a maneira que alguém enxerga o mundo, que uma pessoa pode ser, ao mesmo tempo, a vilã e a heroína, dependendo de com qual lente você está enxergando.
Cada pessoa carrega consigo o que é seu. Narrativas podem ser facilmente alteradas para encaixar no que é mais conveniente. O que podemos fazer é saber a nossa verdade, carregá-la conosco e viver a vida enquanto soubermos quem somos.
Mas para isso, é necessário ser brutalmente honesto consigo mesmo primeiro.
A partir daí, a verdade do outro é problema dele. Só podemos lidar com o que nos pertence.