Ansiedade: pensar demais cansa pra caramba!
Pensar demais cansa pra caramba!
Quando o pensamento deixa de ser reflexão e passa a ocupar todo o espaço
Pensar faz parte da experiência humana. É por meio do pensamento que planejamos, tomamos decisões, compreendemos nossas experiências e atribuímos significado ao que vivemos. Mas existe uma diferença importante entre refletir sobre algo e permanecer preso ao mesmo pensamento.
A ruminação mental acontece quando determinadas ideias, preocupações, dúvidas ou acontecimentos retornam repetidamente à mente, muitas vezes sem que se encontre uma solução ou um novo significado para aquilo que está sendo pensado. É o famoso “e se...?”, o “por que eu fiz isso?”, o “o que poderia ter acontecido?” ou a necessidade constante de antecipar situações que ainda nem aconteceram.
Embora pareça uma tentativa de encontrar respostas e controlar aquilo que nos angustia, pensar incessantemente nem sempre produz soluções. Pelo contrário: pode aumentar a ansiedade, dificultar a concentração, interferir no sono e tornar experiências cotidianas emocionalmente mais desgastantes.
Nem todo pensamento precisa ser seguido
Um dos desafios está justamente em perceber que ter um pensamento não significa que precisamos acreditar nele ou resolvê-lo imediatamente. A mente produz pensamentos continuamente, mas alguns deles podem estar relacionados ao medo, à insegurança, à culpa, à necessidade de controle ou a experiências que ainda não foram emocionalmente elaboradas.
Quando esse processo se torna frequente e começa a interferir nos relacionamentos, no trabalho, nos estudos, no descanso ou na própria percepção de si, pode ser importante buscar ajuda profissional.
A psicoterapia possibilita construir um espaço de escuta no qual esses pensamentos podem ser observados e compreendidos para além de sua aparência imediata. Mais do que simplesmente tentar “pensar positivo” ou eliminar pensamentos desagradáveis, o processo terapêutico busca compreender por que determinados pensamentos se repetem, o que eles representam e quais conflitos podem estar sustentando esse funcionamento.
Em algumas situações, a ruminação também pode estar associada a diferentes manifestações de sofrimento psíquico e psicopatologias. Por isso, compreender o contexto em que esses pensamentos aparecem é fundamental para uma avaliação adequada e, quando necessário, para o desenvolvimento de um tratamento.
Pensar não é o problema. Ficar sozinho dentro do pensamento pode ser.
A psicoterapia não promete silenciar a mente. Afinal, pensar é parte de quem somos. O objetivo é construir uma relação diferente com aquilo que pensamos, permitindo que o pensamento deixe de ser uma prisão e possa novamente cumprir sua função de reflexão, elaboração e compreensão.
Às vezes, aquilo que parece ser apenas “pensar demais” é uma forma de expressar algo que ainda não encontrou espaço para ser dito, sentido e elaborado.
Talvez você não precise pensar mais sobre aquilo. Talvez precise compreender o que esse pensamento está tentando dizer.
Psicologia clínica humanizada e antirracista
Johny Bento — Psicólogo | CRP 06/168896