ANSIEDADE: QUANDO A PREOCUPAÇÃO DEIXA DE SER APENAS UMA PREOCUPAÇÃO?
ANSIEDADE: QUANDO A PREOCUPAÇÃO DEIXA DE SER APENAS UMA PREOCUPAÇÃO?
A ansiedade faz parte da experiência humana. Sentir preocupação antes de uma prova, uma entrevista de emprego, uma consulta médica ou diante de uma situação desconhecida pode ser uma resposta natural do organismo.
Ela pode nos preparar para enfrentar desafios, aumentar nossa atenção e nos ajudar a tomar decisões.
Mas, quando a ansiedade se torna frequente, intensa, difícil de controlar e começa a interferir na vida cotidiana, é importante olhar para esse sofrimento com mais atenção.
ANSIEDADE NÃO É SINÔNIMO DE TRANSTORNO
Sentir ansiedade não significa, por si só, ter um transtorno de ansiedade.
Os transtornos de ansiedade são condições clínicas caracterizadas por medo ou ansiedade excessivos e por alterações comportamentais associadas, podendo interferir no trabalho, nos estudos, nos relacionamentos e em outras áreas importantes da vida.
O DSM-5-TR apresenta diferentes transtornos de ansiedade, entre eles o transtorno de ansiedade generalizada, o transtorno de pânico, o transtorno de ansiedade social, as fobias específicas, a agorafobia e o transtorno de ansiedade de separação.
Cada um possui características e critérios próprios.
QUANDO A ANSIEDADE PODE SER CONSIDERADA MAIS GRAVE?
A gravidade não deve ser definida apenas pela quantidade de sintomas.
É importante observar a intensidade, a frequência, a duração e, principalmente, o quanto a ansiedade interfere na vida da pessoa.
Uma pessoa pode estar constantemente preocupada, ter dificuldade para dormir, apresentar tensão muscular, irritabilidade, cansaço e dificuldade de concentração. Outra pode apresentar crises intensas de medo, alterações físicas importantes e começar a evitar lugares ou situações.
Por isso, a avaliação profissional considera o conjunto da experiência e o impacto sobre o funcionamento da pessoa.
TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA
No transtorno de ansiedade generalizada (TAG), a pessoa apresenta preocupação e ansiedade excessivas relacionadas a diferentes áreas da vida, como trabalho, saúde, família, dinheiro e responsabilidades.
De acordo com os critérios apresentados pelo DSM e descritos pelo NIMH, a preocupação ocorre na maioria dos dias durante pelo menos seis meses e é difícil de controlar. Em adultos, também devem estar presentes pelo menos três sintomas associados, como:
- inquietação ou sensação de estar no limite;
- cansaço ou fadiga;
- dificuldade de concentração;
- irritabilidade;
- tensão muscular;
- alterações no sono.
Além disso, os sintomas precisam produzir sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento.
Isso é importante porque nem toda pessoa preocupada ou sobrecarregada possui TAG.
E QUANDO EXISTEM CRISES DE ANSIEDADE?
As crises de pânico podem envolver uma onda súbita de medo ou desconforto intenso, acompanhada de sintomas físicos como coração acelerado, tremores, falta de ar, tontura, suor e sensação de perda de controle.
Ter uma crise de pânico, entretanto, não significa automaticamente ter transtorno de pânico.
No transtorno de pânico, existem ataques recorrentes e inesperados, acompanhados por preocupação persistente com novas crises ou mudanças significativas no comportamento relacionadas a elas.
A ANSIEDADE PODE MUDAR A ROTINA
Um dos sinais que merece atenção é quando a pessoa começa a organizar a própria vida em função da ansiedade.
Pode acontecer de:
- evitar determinados lugares;
- deixar de participar de atividades;
- cancelar compromissos;
- buscar constantemente confirmação ou tranquilização;
- ter dificuldade para tomar decisões;
- deixar situações mais cedo por medo ou preocupação;
- apresentar prejuízos no trabalho ou nos estudos;
- afastar-se de pessoas importantes.
Esses comportamentos podem acabar mantendo o ciclo da ansiedade.
ANSIEDADE, CORPO E MENTE
A ansiedade não acontece apenas nos pensamentos.
Ela também pode aparecer no corpo.
Tensão muscular, alterações no sono, cansaço, palpitações, tremores, desconforto gastrointestinal, dificuldade de concentração e sensação de estar constantemente em alerta podem acompanhar quadros ansiosos.
Por isso, ouvir o corpo também é uma forma de perceber que algo precisa de atenção.
O QUE FAZER QUANDO A ANSIEDADE ESTÁ AFETANDO A VIDA?
O primeiro passo é não tentar lidar com tudo sozinho.
É importante compreender o que está acontecendo, observar os pensamentos, identificar situações que aumentam a ansiedade e perceber quais comportamentos estão sendo utilizados para lidar com ela.
A psicoterapia pode oferecer um espaço de acolhimento e avaliação, ajudando a pessoa a compreender seus padrões de pensamentos, emoções e comportamentos e a desenvolver estratégias mais adaptativas.
Em alguns casos, também pode ser necessária uma avaliação médica ou psiquiátrica.
Ansiedade não é frescura. Mas também não significa que toda preocupação seja um transtorno.
Existe uma diferença entre sentir ansiedade diante dos desafios da vida e viver em um estado persistente de medo, preocupação e sofrimento.
Reconhecer essa diferença é um importante passo para buscar cuidado.
QUANDO PEDIR AJUDA?
Se a ansiedade está ocupando grande parte dos seus pensamentos, prejudicando seu sono, seus relacionamentos, seu trabalho, seus estudos ou fazendo você evitar situações importantes, talvez seja hora de procurar ajuda profissional.
Você não precisa esperar chegar ao seu limite para cuidar da sua saúde emocional.
Silvana Souza Poiani
Psicóloga Clínica | TCC