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Autoestima: a relação que construímos com nós mesm

Autor Psi. Edilene Martino
24 de setembro de 2026

A maneira como nos enxergamos influencia nossas escolhas, nossos relacionamentos e a forma como enfrentamos os desafios da vida.

Autoestima não significa acreditar que somos melhores do que os outros, nem gostar de tudo em nós o tempo inteiro. Significa reconhecer nosso próprio valor, respeitar nossas necessidades, aceitar nossas imperfeições e compreender que nossa dignidade não depende da aprovação de outras pessoas.

Construir uma autoestima saudável é aprender, pouco a pouco, a olhar para si com mais respeito e menos cobrança.

O que é autoestima?

Autoestima é a percepção e a avaliação que construímos sobre nós mesmos.

Ela envolve a maneira como reconhecemos nossas qualidades, lidamos com nossas limitações e interpretamos nossas experiências.

Uma pessoa com autoestima saudável não está livre de inseguranças. Ela também pode errar, sentir medo, receber críticas e passar por momentos de dúvida.

A diferença está na forma como se relaciona consigo mesma.

Em vez de pensar:

“Eu errei, portanto não sou capaz.”

Pode aprender a pensar:

“Eu errei. Posso compreender o que aconteceu e tentar novamente.”

Essa diferença na maneira de se tratar pode transformar a relação que construímos conosco.

De onde vem a nossa autoestima?

A autoestima começa a ser construída ao longo da nossa história.

Experiências familiares, relações afetivas, ambiente escolar, amizades, críticas, comparações, rejeições, perdas e conquistas podem influenciar a maneira como aprendemos a nos enxergar.

Frases ou experiências repetidas podem deixar marcas.

Quando uma pessoa cresce ouvindo que nunca é boa o suficiente, pode passar a acreditar nisso.

Quando é constantemente comparada, pode aprender a medir seu valor pela régua dos outros.

Quando recebe pouco reconhecimento, pode ter dificuldade para reconhecer suas próprias conquistas.

Mas nossa história influencia quem somos — não precisa determinar para sempre quem seremos.

Como a baixa autoestima pode aparecer?

A baixa autoestima pode se manifestar de diferentes maneiras.

Alguns sinais podem incluir:

  • dificuldade em reconhecer as próprias qualidades;
  • necessidade constante de aprovação;
  • medo excessivo de críticas;
  • comparação frequente com outras pessoas;
  • dificuldade em dizer “não”;
  • aceitação de situações que causam sofrimento;
  • medo de ser abandonado ou rejeitado;
  • cobrança excessiva;
  • sensação de não ser suficientemente bom;
  • dificuldade em receber elogios;
  • desvalorização das próprias conquistas.

Nem todos esses sinais significam necessariamente baixa autoestima. Cada pessoa possui uma história e precisa ser compreendida dentro de seu contexto.

A autoestima influencia nossos relacionamentos

A forma como nos tratamos também pode influenciar aquilo que aceitamos nas relações.

Quando acreditamos que precisamos fazer tudo para sermos amados, podemos abrir mão de nossas necessidades para evitar perder alguém.

Podemos confundir amor com sacrifício constante, cuidado com dependência ou aceitação com submissão.

Construir autoestima não significa deixar de amar, cuidar ou ceder.

Significa compreender que amar alguém não deveria exigir o abandono de si mesmo.

Relacionamentos saudáveis precisam de afeto, respeito, reciprocidade e espaço para que cada pessoa continue sendo quem é.

Autoestima não é aparência

Vivemos em uma sociedade que frequentemente associa valor pessoal à aparência, juventude, corpo, sucesso, dinheiro e reconhecimento.

Cuidar da aparência pode ser prazeroso e importante, mas autoestima vai muito além do espelho.

Uma pessoa pode estar satisfeita com sua aparência e ainda assim sentir-se insegura, incapaz ou dependente da aprovação dos outros.

A verdadeira construção da autoestima envolve também reconhecer:

“Eu tenho valor mesmo quando não estou produzindo.”

“Tenho valor mesmo quando erro.”

“Tenho valor mesmo quando alguém não me escolhe.”

“Tenho valor mesmo quando não consigo agradar a todos.”

Como desenvolver uma autoestima mais saudável?

A autoestima não muda simplesmente porque alguém nos diz para “pensar positivo”. Ela é construída através de experiências, consciência e novas formas de nos relacionarmos conosco.

1. Observe como você fala consigo mesmo

Você falaria com uma pessoa que ama da mesma maneira que fala consigo?

Observe sua autocrítica.

Trocar uma cobrança destrutiva por uma conversa interna mais realista e respeitosa é um passo importante.

2. Pare de medir seu valor pela comparação

A comparação mostra apenas partes da vida das outras pessoas e costuma esconder aquilo que não vemos.

Sua trajetória possui características próprias.

3. Reconheça suas conquistas

Não espere grandes acontecimentos para reconhecer seu esforço.

Pequenos avanços também merecem ser valorizados.

4. Aprenda a estabelecer limites

Dizer “não” quando necessário pode ser uma forma de respeito por si mesmo.

Você não precisa estar disponível o tempo inteiro para provar que se importa.

5. Aceite que você pode ser imperfeito

Errar não transforma você em uma pessoa fracassada.

Ter dificuldades não significa ser incapaz.

Ser humano significa estar em constante processo de aprendizado.

6. Descubra quem você é além da opinião dos outros

Pergunte-se:

O que eu realmente gosto?

O que é importante para mim?

Quais são meus valores?

O que eu desejo para minha vida?

Quais limites preciso estabelecer?

Essas perguntas ajudam a construir uma identidade mais consciente.

7. Busque ajuda quando sentir necessidade

Quando sentimentos de desvalorização, insegurança ou rejeição estão profundamente enraizados, um processo terapêutico pode ajudar a compreender a origem dessas percepções e construir uma relação mais saudável consigo mesmo.

Autoestima é um processo

Você não precisa acordar amanhã completamente seguro, confiante e sem medo.

Construir autoestima é aprender a se escolher também nos dias difíceis.

É reconhecer seus limites sem se sentir culpado.

É aceitar que algumas pessoas podem não gostar de você sem concluir que existe algo errado com você.

É compreender que rejeição não define seu valor.

É reconhecer suas conquistas sem precisar diminuí-las.

E, principalmente, é aprender a oferecer a si mesmo um pouco da compreensão que tantas vezes oferecemos aos outros.

Comece pela forma como você se trata

Talvez você não consiga mudar imediatamente aquilo que pensa sobre si.

Mas pode começar mudando a maneira como conversa consigo.

Em vez de:

“Eu não sou bom o suficiente.”

Experimente perguntar:

“Por que estou me sentindo assim? O que aconteceu para eu pensar dessa maneira? O que eu precisaria ouvir neste momento?”

Autocuidado também é diálogo interno.

A autoestima não nasce da perfeição.

Ela cresce quando aprendemos a reconhecer nosso valor mesmo sabendo que somos imperfeitos.

E talvez o primeiro passo seja simples:

começar a olhar para si com o mesmo acolhimento que você oferece a quem ama.



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