Autoestima na adolescência
A adolescência é um período de muitas mudanças. O corpo se transforma, as relações ganham novos significados e o jovem começa a construir uma percepção mais própria sobre quem é. Nesse processo, a autoestima ocupa um lugar importante, pois está relacionada à maneira como cada pessoa reconhece seu próprio valor, suas características e suas possibilidades. Para Rosenberg (1965), a autoestima envolve a avaliação que o indivíduo faz de si mesmo.
Durante essa fase, o olhar das outras pessoas pode exercer grande influência. A aceitação dos amigos, os comentários sobre a aparência, as experiências na escola e as comparações nas redes sociais podem interferir na forma como o adolescente se percebe. Quando a aprovação externa passa a ser a principal referência, situações de rejeição ou comparação podem gerar insegurança e sentimentos de inadequação. Uma revisão sistemática e meta-análise publicada por Zhou et al. (2023) encontrou associação entre vitimização por pares, baixa autoestima e sintomas internalizantes em adolescentes.
Ao mesmo tempo, ter uma boa autoestima não significa sentir-se seguro o tempo todo. O adolescente também precisa lidar com erros, frustrações, mudanças e inseguranças sem transformar essas experiências em uma definição sobre quem ele é. Reconhecer sentimentos, necessidades, limites e potencialidades pode favorecer uma relação mais saudável consigo mesmo.
As redes sociais tornam essa questão ainda mais presente, já que possibilitam comparações frequentes com imagens e experiências idealizadas. Uma revisão sistemática recente identificou relação entre autoestima e diferentes comportamentos de risco na adolescência, reforçando a importância desse aspecto para o desenvolvimento e a saúde psicológica dos jovens (Martínez-Casanova, et. al., 2024).
Por isso, falar sobre autoestima na adolescência também é falar sobre relações, pertencimento e construção da identidade. No espaço psicológico, é importante oferecer ao adolescente um ambiente em que possa expressar o que sente, compreender suas experiências e construir uma percepção de si que não dependa exclusivamente da aprovação dos outros. Desenvolver autoestima não significa deixar de ter inseguranças, mas conseguir reconhecer o próprio valor mesmo diante delas.
REFERÊNCIAS
MARTÍNEZ-CASANOVA, Elena; MOLERO-JURADO, María del Mar; PÉREZ-FUENTES, María del Carmen. Self-esteem and risk behaviours in adolescents: a systematic review. Behavioral Sciences, v. 14, n. 6, 432, 2024. DOI: https://doi.org/10.3390/bs14060432. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11201250/. Acesso em: 5 out. 2026.
ROSENBERG, Morris. Society and the adolescent self-image. Princeton: Princeton University Press, 1965. Disponível em: https://press.princeton.edu/books/hardcover/9780691649443/society-and-the-adolescent-self-image. Acesso em: 5 out. 2026.
ZHOU, X. et al. The relationship between peer victimisation, self-esteem, and internalizing symptoms in adolescents: a systematic review and meta-analysis. Journal of Youth and Adolescence, 2023. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10058150/. Acesso em: 5 out. 2026.