Autoestima não é algo que você tem.
Costumamos ouvir e até falar sobre a autoestima como algo interno, um traço que algumas pessoas tem e outras não. É comum falas como "preciso trabalhar a minha autoestima" e a questão que fica é: como se trabalha isso?
Sim, uma boa autoestima pode ser desenvolvida, mas isso não acontece da forma que a maioria das pessoas pensa.
Autoestima não é algo que está simplesmente dentro de nós, é um conjunto de comportamentos aprendidos no decorrer da nossa história. Começa de fora, não de dentro.
Ninguém nasce acreditando que não é boa o suficiente. Isso é aprendido a partir dos ambientes e relações que experienciamos em nossa vida. Por exemplo: alguém que só recebia atenção e carinho quando fazia algo visto como útil, aprende que o seu valor está diretamente ligado à sua utilidade. Alguém que cresceu em um ambiente no qual os adultos se criticavam excessivamente, pode acabar repetindo o mesmo padrão; afinal, uma criança aprende como se comportar a partir da forma que os adultos ao seu redor se comportam. Alguém que ouviu repetidamente frases como "você é muito difícil", "ninguém vai te suportar", "não é pra tanto, você exagera", "você nunca vai ser alguém na vida desse jeito", consequentemente cresce acreditando nisso. Com o tempo, essas vozes deixam de soar como externas e passam a soar como a verdade sobre quem ela é.
É por isso que o desenvolvimento da autoestima vai muito além de repetir frases bonitas para si mesma. Não é algo a ser resgatado dentro de nós, mas sim algo a ser entendido e treinado, como um hábito, com atitudes diárias. É um processo que envolve a compreensão da sua história, a identificação de padrões de comportamento prejudiciais para a sua vida e a construção, a partir disso, de novas formas de se relacionar consigo mesma.
O que foi aprendido lá atrás pode agora ser reaprendido e a terapia costuma ser uma ótima aliada nesse processo.
Com carinho, May. 🤍
Psicóloga clínica CRP 06/159396
@mayvpsico