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Autoestima não é gostar de tudo em você

Autor Psi. Priscila Mendes Bayer
15 de setembro de 2026

Você não precisa olhar no espelho e pensar “sou maravilhosa” todos os dias.

Aliás, talvez autoestima tenha menos a ver com se achar incrível e mais a ver com não transformar cada defeito, erro ou insegurança em uma sentença sobre quem você é.

Autoestima não é gostar de tudo em você.

É conseguir reconhecer seu valor mesmo quando você não gosta de alguma coisa em si mesma.

Na Terapia Cognitivo-Comportamental, podemos compreender a autoestima a partir de diferentes aspectos que se relacionam: autoimagem, autoconceito, autorreforço e autoeficácia.

E é aí que a coisa fica mais interessante.


1. Autoimagem: como você se enxerga

É a percepção que você tem sobre si mesma — inclusive sobre o próprio corpo, aparência e características.

O problema começa quando um aspecto da sua aparência passa a definir o seu valor inteiro.

“Estou acima do peso, então estou horrível.”

“Não gosto do meu cabelo, então não sou bonita.”

“Estou envelhecendo, então estou perdendo meu valor.”

Perceba: uma característica virou identidade.

Você pode não gostar de uma parte do seu corpo sem precisar concluir que você inteira é inadequada.


2. Autoconceito: quem você acredita que é

É a maneira como você define a si mesma.

Sou competente?

Sou inteligente?

Sou interessante?

Sou capaz?

Sou uma pessoa confiável?

Aqui aparece uma armadilha comum: construir um conceito de si baseado apenas em desempenho.

“Sou boa porque produzo.”

“Sou competente porque não erro.”

“Sou importante porque sou necessária.”

O problema é que, quando você falha, o erro deixa de ser sobre algo que aconteceu e passa a parecer uma prova de quem você é.

Você não errou.

Você é incompetente.

Essa diferença parece pequena. Psicologicamente, não é.


3. Autorreforço: você reconhece o que faz de bom?

Ou só percebe o que faltou?

Tem gente que recebe dez elogios e passa o resto do dia pensando naquele único comentário negativo.

Conquista alguma coisa e imediatamente estabelece outra meta.

Faz algo bem feito e pensa:

“Era minha obrigação.”

Isso não é humildade.

Às vezes, é uma dificuldade real de reconhecer e reforçar as próprias conquistas.

Autorreforço envolve aprender a reconhecer seus esforços, avanços e comportamentos adequados sem precisar esperar que outra pessoa faça isso por você.

E não, isso não é virar fã de si mesma.

É parar de ser a própria fiscal da Receita Federal emocional.


4. Autoeficácia: você acredita que consegue lidar com a vida?

Autoeficácia é a percepção de capacidade para enfrentar situações e produzir mudanças.

Não significa acreditar que você consegue fazer absolutamente tudo.

Significa confiar que, mesmo diante de dificuldades, você pode aprender, tentar, adaptar-se e lidar com o que aparecer.

A diferença é enorme.

“Eu preciso ter certeza de que vou conseguir.”

versus

“Eu não sei exatamente como vai ser, mas acredito que consigo lidar com isso.”

A segunda pessoa não necessariamente tem mais controle.

Ela tem mais confiança na própria capacidade de enfrentar a falta de controle.


Então, autoestima não é gostar de tudo em você.

É conseguir olhar para si mesma com mais realidade.

Você pode reconhecer uma dificuldade sem se reduzir a ela.

Pode querer mudar alguma coisa sem concluir que está errada por existir como está.

Pode cometer um erro sem transformar aquilo em identidade.

Pode receber uma crítica sem entregar para outra pessoa o controle sobre o seu valor.

E pode não se sentir incrível hoje — sem transformar isso em uma crise existencial.

Autoestima saudável não exige que você se admire o tempo inteiro.

Exige que você

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