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Envelhecer LGBTQIAPNB+ não significa desaparecer

Autor Psi. Frederico Monte
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8 de outubro de 2026
Envelhecer LGBTQIAPNB+ não significa desaparecer

Envelhecer também pode ser perceber que algumas presenças foram ficando pelo caminho. Para muitas pessoas LGBTQIAPNB+, essa experiência pode carregar uma história ainda mais complexa. Há quem tenha passado boa parte da vida escondendo quem era, enfrentando rejeição familiar, preconceito, violência ou a necessidade de construir uma “família escolhida” quando a família de origem não oferecia acolhimento. Ao chegar aos 50, 60 anos ou mais, podem surgir perguntas que nem sempre encontram espaço para serem ditas: quem estará comigo daqui para frente? Ainda existe lugar para mim? Serei desejado, respeitado e reconhecido também na velhice?

A solidão LGBTQIAPNB+ nem sempre significa estar sozinho. É possível estar cercado de pessoas e, ainda assim, experimentar a sensação de não pertencer. Para algumas pessoas, envelhecer significa também lidar com perdas de parceiros, amigos e companheiros de uma geração que viveu períodos de intensa discriminação, antes de muitos dos direitos hoje reconhecidos. Há também o medo de voltar a esconder a própria identidade em determinados espaços, o receio de sofrer LGBTfobia nos serviços de saúde ou simplesmente a sensação de que, ao envelhecer, a sociedade passa a enxergar menos o corpo, o desejo e a existência LGBTQIAPNB+. Nesse sentido, a solidão não está apenas na ausência de companhia, mas também na experiência de não se sentir verdadeiramente visto.

Envelhecer, porém, não significa desaparecer. A velhice LGBTQIAPNB+ não precisa ser compreendida apenas pelas perdas, pelo preconceito ou pela solidão. Existe uma história de resistência, de afetos construídos, de amizades que se transformaram em família, de amores que sobreviveram a tempos difíceis e de pessoas que precisaram criar caminhos para existir com mais liberdade. A perspectiva fenomenológico-existencial nos convida justamente a olhar para essa experiência como ela é vivida: quais sentidos foram construídos ao longo dessa trajetória? O que ainda dói? O que permanece vivo? Que relações ainda podem ser construídas?

Talvez envelhecer seja também poder olhar para a própria história sem precisar apagar aquilo que se viveu para caber nas expectativas dos outros. Talvez ainda exista tempo para construir pertencimento, intimidade, amizade, amor e novos sentidos para a própria existência. E talvez a pergunta não seja apenas “como deixar de me sentir sozinho?”, mas “como quero viver os encontros que ainda são possíveis?”. Se você é uma pessoa LGBTQIAPNB+ e tem percebido a solidão, o envelhecimento ou as mudanças da vida como algo difícil de elaborar, a psicoterapia pode ser um espaço para falar sobre isso com liberdade, respeito e acolhimento sem precisar esconder quem você é.

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