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Evitar alivia, mas pode aumentar a ansiedade!

Autor Psi. José Filemom Rezende De AraúJo
7 de setembro de 2026
Evitar alivia, mas pode aumentar a ansiedade!

Quando alguma situação provoca ansiedade, é muito natural querer se afastar dela.


Pode ser uma conversa difícil, uma apresentação no trabalho, sair sozinho, dirigir, entrar em um lugar cheio de pessoas, responder uma mensagem ou até resolver alguma coisa que está sendo adiada há dias.

A vontade costuma ser simples: “Se eu não precisar passar por isso agora, vou me sentir melhor.”

E, muitas vezes, é exatamente o que acontece.

Você evita a situação e sente alívio.

O problema é que esse alívio pode acabar ajudando a manter a ansiedade.


O que acontece quando evitamos?

Imagine uma pessoa que fica muito ansiosa quando precisa falar em público.

Ela começa a pensar que vai travar, esquecer o que precisa dizer ou que as outras pessoas vão perceber seu nervosismo. O coração acelera, as mãos suam e a vontade de desistir aumenta.

Se ela consegue cancelar a apresentação, provavelmente sente um alívio quase imediato.

Por alguns minutos, parece que o problema foi resolvido.

Só que o cérebro também pode aprender algo com essa experiência:

“Eu fiquei melhor porque escapei daquela situação.”

Na próxima vez, fugir ou evitar pode parecer ainda mais necessário.

E é assim que, em alguns casos, a vida começa a ficar cada vez mais limitada.


Nem toda evitação é um problema

É importante deixar isso claro.

Evitar alguma coisa não é, por si só, ruim.

Há momentos em que se afastar de uma situação é uma escolha saudável, necessária ou até protetiva.

A questão é perceber o que essa evitação está produzindo na sua vida.

Por exemplo, talvez você recuse uma festa porque está cansado. Tudo bem.

Mas pode acontecer de, aos poucos, você começar a evitar qualquer lugar onde não conhece muita gente. Depois passa a recusar convites. Mais tarde, deixa de fazer algumas coisas sozinho.

Quando percebe, não foi apenas a ansiedade que aumentou.

Seu espaço de vida diminuiu.


A ansiedade também aparece no que fazemos

Quando pensamos em ansiedade, é comum lembrar primeiro das sensações físicas:

coração acelerado, tensão, falta de ar, suor, desconforto no estômago.

Mas a ansiedade também pode aparecer na maneira como nos comportamos.

Às vezes, ela está presente quando alguém:

  • adia constantemente uma tarefa;
  • pede confirmação várias vezes antes de tomar uma decisão;
  • evita conversar sobre determinados assuntos;
  • deixa de ir a lugares por medo de passar mal;
  • precisa estar sempre acompanhado;
  • tenta controlar todos os detalhes para diminuir a possibilidade de algo dar errado.


Por isso, compreender a ansiedade não significa apenas perguntar:

“O que você sente?”

Também é importante perguntar:

“O que você costuma fazer quando sente isso?”

E, principalmente:

“O que acontece depois?”


O objetivo não é nunca mais sentir ansiedade

Essa talvez seja uma das partes mais importantes.

Ansiedade faz parte da vida.

Ela pode aparecer antes de uma entrevista de emprego, ao começar um relacionamento, diante de uma decisão importante ou quando precisamos fazer algo novo.

Isso não significa necessariamente que exista algo errado.

Por isso, em psicoterapia, o objetivo nem sempre é simplesmente “acabar com a ansiedade”.


Às vezes, uma pergunta mais útil é:

Quanto a ansiedade tem decidido a sua vida por você?

Ela está fazendo você abandonar coisas importantes?

Está interferindo no trabalho, nos relacionamentos ou na sua autonomia?

Você começou a organizar a vida principalmente para não sentir desconforto?

Essas perguntas podem ajudar a enxergar o problema de uma forma diferente.


Entender o ciclo muda muita coisa

Imagine este caminho:

Ansiedade → evitação → alívio imediato → mais dificuldade para enfrentar situações parecidas no futuro.

Quando conseguimos perceber esse ciclo, começamos a entender que o alívio do momento nem sempre significa que aquilo está nos fazendo bem a longo prazo.

E isso não quer dizer que a pessoa simplesmente precise “ter coragem” ou “enfrentar tudo”.

Cada situação tem uma história.


Cada pessoa aprendeu formas diferentes de lidar com aquilo que sente.

Por isso, o trabalho psicológico envolve compreender o que está acontecendo, em quais situações, quais consequências aparecem e quais mudanças podem ser construídas de maneira possível e gradual.


Talvez, então, a pergunta deixe de ser:

“Como eu faço para nunca mais sentir ansiedade?”

e passe a ser:

“Como posso voltar a fazer coisas importantes para mim, mesmo quando a ansiedade aparece?”

Essa mudança de pergunta pode abrir um caminho completamente diferente.

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