O adulto que estamos ajudando a construir
Você já parou para pensar em como o ambiente em que uma criança cresce pode influenciar a pessoa que ela se tornará?
Na infância, aprendemos muito por meio das nossas interações com os ambientes e com as pessoas que fazem parte da nossa vida. A forma como determinados comportamentos são acolhidos, ignorados, reforçados ou desencorajados pode participar da construção do nosso repertório comportamental. Como assim?
Por exemplo: uma criança que aprende que pode falar sobre seus sentimentos sem ser julgada é capaz de desenvolver diferentes formas de expressar o que sente, tornando-se um adulto capaz de lidar com suas emoções e sentimentos de maneira leve. Mas o que acontece quando uma criança aprende que chorar é “fraqueza”, que dizer “não” é “desrespeito” ou que precisa agradar os outros para receber atenção e aprovação?
Se observamos um adulto que não consegue se expressar acerca das emoções, essa crença adquirida se mantém inalterada ou, em outras palavras, ele acaba sendo mal interpretado. Os homens assimilam que expressar lágrimas é interditado, sendo considerado um indicativo de fragilidade, enquanto as mulheres devem comportar-se de maneira específica para lograr o matrimônio, uma vez que, caso contrário, são percebidas como frágeis ou excessivamente emocionais.
Será que essas aprendizagens podem aparecer posteriormente na vida adulta? Sim ou não?
Na perspectiva da Análise do Comportamento, não olhamos apenas para o comportamento isoladamente, mas também para o contexto em que ele ocorre e para as consequências que podem estar contribuindo para sua manutenção. Por isso, alguns comportamentos que parecem “difíceis”, “exagerados” ou até mesmo incompreensíveis podem ter uma história de aprendizagem por trás deles.
A dificuldade de estabelecer limites, o medo da rejeição, a necessidade constante de aprovação, a forma de lidar com conflitos e até algumas maneiras de se relacionar podem estar relacionadas a repertórios construídos ao longo da história de vida. Mas isso significa que a infância determina quem seremos? Não necessariamente.
O comportamento é resultado de uma história de interação com diferentes ambientes, e novas experiências também podem produzir novos comportamentos. Por isso, talvez algumas perguntas importantes sejam: o que essa pessoa aprendeu ao longo de sua história? Em quais contextos determinado comportamento aparece? O que acontece depois que ela se comporta dessa maneira? Esse comportamento está sendo reforçado de alguma forma? E, principalmente, que novas possibilidades podem ser construídas?
Compreender a história de uma pessoa não significa justificá-la ou culpá-la pelo que viveu. Significa buscar entender como aquele repertório foi construído e quais possibilidades existem para ampliá-lo, até porque devemos levar em conta que estamos sempre em evolução.
Psicóloga: Tainá Silva Batista dos Santos.
CRP: 06/231925