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Por que repetimos o que nos faz mal?

Autor Psi. Danielle Dezope Oliveira
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7 de outubro de 2026
Por que repetimos o que nos faz mal?

“Por que eu sei o que preciso fazer, mas continuo fazendo o contrário?”

Quando entender racionalmente não é suficiente para mudar

Quantas vezes você já percebeu que determinada situação não lhe faz bem, prometeu a si mesma que iria agir de forma diferente e, mesmo assim, acabou repetindo o mesmo comportamento?

Você sabe que precisa colocar limites, mas continua dizendo “sim”.

Sabe que determinada relação lhe machuca, mas tem dificuldade de se afastar.

Percebe que precisa descansar, mas se sente culpada quando para.

Entende que deveria cuidar mais de si, mas acaba deixando suas próprias necessidades sempre para depois.

E então surge uma pergunta incômoda:

“Se eu sei disso tudo, por que não consigo mudar?”

A psicologia nos mostra que compreender racionalmente um comportamento não significa, necessariamente, conseguir transformá-lo.

Nem tudo aquilo que fazemos é resultado de uma decisão consciente.

Nossas escolhas são influenciadas por nossa história, pelas relações que construímos, pelas experiências que vivemos e pela maneira como aprendemos a lidar com nossas emoções.

Na perspectiva psicanalítica, por exemplo, existe uma dimensão inconsciente que participa de nossos pensamentos, sentimentos e comportamentos. Isso significa que podemos desejar conscientemente uma mudança e, ao mesmo tempo, encontrar dificuldades internas para realizá-la.

É por isso que algumas pessoas percebem que estão repetindo determinados padrões, mas não conseguem compreender completamente por que continuam repetindo aquilo que dizem querer evitar.

E quando o problema não é falta de força de vontade?

Vivemos em uma cultura que frequentemente transforma sofrimento em responsabilidade individual.

“É só se afastar.”

“É só pensar positivo.”

“É só se impor.”

“Você precisa se valorizar.”

Mas a realidade psíquica é muito mais complexa.

Às vezes, colocar um limite pode despertar medo de rejeição.

Dizer “não” pode provocar culpa.

Escolher a si mesmo pode entrar em conflito com aquilo que você aprendeu sobre amor, aceitação ou pertencimento.

Por isso, mudar não significa simplesmente “ter força de vontade”.

Mudar também significa compreender o que nos mantém presos a determinados lugares, relações e comportamentos.

A terapia pode ser um espaço para compreender esses padrões.

O processo terapêutico não consiste em receber respostas prontas sobre como viver.

É um espaço de escuta e reflexão no qual podemos olhar para aquilo que se repete, compreender sentimentos que muitas vezes parecem contraditórios e construir novas possibilidades para lidar com a própria história.

Talvez a pergunta não precise ser apenas:

“Como faço para parar de fazer isso?”

Talvez seja importante perguntar também:

“O que esse comportamento representa para mim?”

“Do que estou tentando me proteger?”

“O que temo perder se eu mudar?”

Às vezes, quando conseguimos compreender a origem de determinados conflitos, a mudança deixa de ser uma batalha contra nós mesmos e passa a ser um processo de maior consciência sobre quem somos e sobre aquilo que desejamos construir.

Você não precisa compreender tudo sozinho.

Se você percebe que alguns padrões se repetem em sua vida, que determinadas escolhas provocam sofrimento ou que existe uma distância entre aquilo que você deseja e aquilo que consegue fazer, a psicoterapia pode ser um espaço importante para olhar para essas questões com mais profundidade.

Cuidar da saúde mental também é se permitir compreender a própria história.

Danielle Dezope Oliveira

Psicóloga | CRP 05/85280

Atendimento psicológico | Abordagem de orientação psicanalítica

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