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Quando a ansiedade começa a decidir por você

Autor Psi. Luana GonçAlves Oliveira
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25 de setembro de 2026
Quando a ansiedade começa a decidir por você

É comum pensar na ansiedade apenas como aquela sensação intensa de medo, preocupação ou aceleração dos pensamentos. Mas, muitas vezes, ela aparece de formas bem mais silenciosas: evitar uma conversa, adiar uma decisão, desistir de algo antes mesmo de tentar, revisar várias vezes uma mensagem antes de enviá-la ou passar horas imaginando tudo o que poderia dar errado.


O problema é que esses comportamentos podem trazer alívio imediato.


Quando evitamos uma situação que nos deixa ansiosos, por exemplo, a ansiedade costuma diminuir naquele momento. E é justamente esse alívio que pode fazer com que evitar se torne cada vez mais provável no futuro.


É como se o cérebro aprendesse: “Quando eu fujo disso, eu me sinto melhor”.


Só que aquilo que funciona no curto prazo nem sempre funciona a longo prazo.


A pessoa pode começar evitando uma situação específica e, aos poucos, perceber que está deixando de fazer cada vez mais coisas. Pode evitar conversas difíceis, oportunidades, encontros, decisões, mudanças ou até situações que antes faziam parte da sua rotina.


Por isso, olhar apenas para o que a pessoa está sentindo nem sempre é suficiente. Também precisamos observar o que ela está fazendo diante desse sentimento e quais consequências esses comportamentos estão produzindo.


Na terapia, esse olhar pode ajudar a entender melhor o funcionamento da ansiedade sem transformar a pessoa em “culpada” pelo próprio comportamento. Afinal, muitas dessas respostas foram aprendidas ao longo da história e, em algum momento, fizeram sentido.


A questão é perceber quando uma estratégia que antes ajudava passou a limitar a vida.


É aqui que pequenas mudanças podem fazer diferença. Em vez de esperar a ansiedade desaparecer completamente para então agir, podemos experimentar construir novas formas de responder a ela.


Isso não significa ignorar o medo ou obrigar-se a “pensar positivo”. Significa aprender que sentir ansiedade não precisa determinar automaticamente aquilo que você fará.


Na perspectiva da ACT, podemos pensar também sobre o que é importante para cada pessoa. Que tipo de vida ela gostaria de construir? O que tem valor para ela? O que está deixando de fazer porque está tentando evitar determinados pensamentos, sentimentos ou desconfortos?


Às vezes, a mudança começa de uma forma muito pequena: ter uma conversa que vem sendo adiada, dizer não quando necessário, retomar uma atividade, tomar uma decisão sem ter 100% de certeza ou simplesmente perceber o que acontece antes de escolher evitar.


Não é sobre fazer tudo de uma vez.


É sobre começar a ampliar as possibilidades de escolha.


A ansiedade pode continuar aparecendo. O objetivo não precisa ser eliminar qualquer desconforto da vida, mas desenvolver recursos para que ele não seja o único responsável pelas decisões.


Afinal, sentir medo é uma experiência humana. Viver sempre em função dele é outra coisa.

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