Pensamentos intrusivos e perda de tempo: é TDAH?
eu geralmente passo bastante tempo pensando em coisas inúteis e que tomam bastante o meu tempo. pesquisando, diz que é um comportamento dequem tem TDAH dentre outras coisas. Como ter certeza suficiente para fazer toda a investigação?
Respostas dos Especialistas (6)
No processo terapêutico o psicólogo avaliará mais afundo o que tem acontecido e consegue definir se há necessidade de fazer uma investigação. Se esses comportamentos te causam prejuízo, isso já é um grande sinal para fazer terapia. Podemos continuar esse diálogo, é só me chamar!
Psi. Thais Silva Souza
CRP: 06/234505Entendo a vontade de ter uma resposta rápida, mas certeza mesmo só uma avaliação de perto vai te dar, e olha que nem sempre é sobre encaixar num rótulo. Esse "ficar preso" em pensamentos que tomam seu tempo pode ter várias origens, às vezes é ansiedade, às vezes é algo que a cabeça usa pra não pensar em outra coisa, às vezes é mesmo uma questão de atenção. Antes de sair atrás de um diagnóstico fechado, vale a gente entender juntos o que é esse tempo pra você, o que ocupa, o que ele talvez esteja evitando. Se depois disso ainda fizer sentido, aí sim posso te indicar uma avaliação com psiquiatra ou neuropsicólogo pra fechar isso com mais precisão. Podemos começar por aí?
Psi. Karim Maria Chagas Zuccheratto
CRP: 06/206318Existem muitos sintomas e diversos transtornos, mas o diagnóstico não é somente "um check-list" de sintomas. A certeza vem da investigação, então se você sente que essas situações trazem prejuízos à sua vida, talvez valha a pena buscar uma avaliação psicológica. Mas se você quiser ter certeza antes de fazer uma avaliação profissional, infelizmente não há como, é necessário compreender diversas questões clínicas, ambientais e comportamentais para chegar a um diagnóstico ético e funcional, que tem como objetivo guiar um tratamento.
Oi, que bom que você trouxe essa dúvida! Pensamentos intrusivos não significam quadro de TDAH. Para chegar a uma hipótese e depois a uma confirmação, precisaríamos entender melhor esse padrão que você descreveu: quais são os pensamentos intrusivos, em que momentos ocorrem, frequência, o que você sente e faz nesses momentos... A realidade é que todos nós temos pensamentos intrusivos, nosso cérebro é assim mesmo, a diferença está em como eles te afetam e como você tem lidado com eles. Espero ter ajudado!
Um ou dois comportamentos isolados não são suficientes para caracterizar um transtorno. Em relação aos pensamentos intrusivos, é importante destacar que, dependendo do conteúdo deles, não são necessariamente algo patológico. Na verdade, pensamentos intrusivos são bastante comuns e fazem parte da experiência humana. Todos nós, em algum momento, podemos ter pensamentos indesejados, estranhos ou que surgem sem que tenhamos controle sobre eles. O que diferencia uma experiência comum de algo que merece maior atenção é a frequência desses pensamentos, o sofrimento que causam e o impacto que têm na vida da pessoa. Quanto à perda de tempo ou procrastinação, esse é realmente um comportamento que pode estar presente no TDAH. No entanto, procrastinar de vez em quando não significa, por si só, que alguém tenha o transtorno. Um ponto muito importante é observar se isso gera sofrimento e prejuízos na vida da pessoa. Muitas pessoas com TDAH relatam saber exatamente o que precisam fazer — uma tarefa do trabalho, um estudo importante ou até uma atividade simples do dia a dia —, mas sentem uma enorme dificuldade para começar. É como se existisse uma barreira invisível impedindo a ação, mesmo quando elas entendem a importância da tarefa. Essa situação costuma gerar ansiedade, frustração, culpa e até uma sensação de incapacidade, criando um ciclo que pode fazer a procrastinação se repetir cada vez mais. Mas, como mencionei anteriormente, um ou dois comportamentos isolados não caracterizam um transtorno. Para que exista um diagnóstico, é necessário avaliar diversos outros critérios, entender há quanto tempo essas dificuldades acontecem, em quais situações elas aparecem e, principalmente, se estão causando prejuízos significativos na vida da pessoa. Além disso, essa avaliação deve ser feita por um profissional qualificado, que poderá analisar o quadro de forma completa e, quando necessário, utilizar testes psicológicos como parte do processo diagnóstico. Outro ponto importante que também precisa ser levado em consideração quando falamos de procrastinação é o perfeccionismo. Muitas pessoas acabam adiando tarefas porque querem fazer tudo da melhor forma possível. Como enxergam a atividade como algo complexo e acreditam que precisarão investir muito tempo e energia para alcançar um resultado perfeito, acabam adiando o início. Em alguns casos, o medo de não atingir as próprias expectativas faz com que a pessoa nem comece a tarefa. Por isso, é tão importante investigar todas essas questões junto a um psicólogo. Comportamentos semelhantes podem ter causas muito diferentes, e analisar apenas características isoladas pode levar a conclusões equivocadas. Somente uma avaliação cuidadosa permitirá compreender o que realmente está acontecendo e se existe ou não algum transtorno envolvido. Espero ter ajudado e me coloco à disposição.
Olá. entendo bem como essa sensação de perder o fio da meada em pensamentos que parecem "inúteis" pode ser exaustiva e gerar uma angústia enorme sobre quem somos. Às vezes, a nossa mente faz umas curvas que a gente não pediu, né? Olha, não precisa ter pressa para se rotular com um diagnóstico. O caminho para a investigação não é sobre ter certeza absoluta agora, mas sim sobre o quanto esses pensamentos estão te custando no dia a dia. Se eles estão te trazendo sofrimento, o melhor passo não é pesquisar no Google, mas sim dividir isso com um profissional que te escute sem julgamentos. O autoconhecimento é um processo, e você não precisa dar conta de resolver esse quebra-cabeça sozinho.