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As marcas da violência nas relações afetivas

Autor Psi. SIMONE SOUZA
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4 de novembro de 2026
As marcas da violência nas relações afetivas

As marcas da violência nas relações afetivas: compreender para reconstruir.

A violência nas relações afetivas nem sempre deixa marcas visíveis. Muitas vezes, ela se manifesta de maneira silenciosa, por meio de humilhações, intimidações, desqualificações, controle, ameaças e comportamentos que, gradualmente, comprometem a autonomia e a segurança emocional de uma pessoa.

Em relacionamentos abusivos, a violência psicológica pode ser especialmente difícil de reconhecer. A pessoa pode começar a questionar suas próprias percepções, sentir-se responsável pelos conflitos, experimentar culpa e desenvolver a sensação de que precisa modificar constantemente seu comportamento para evitar novas situações de agressividade.

As consequências podem ultrapassar o sofrimento emocional imediato. A exposição contínua à violência pode repercutir na saúde psicológica e física, favorecendo manifestações de ansiedade, depressão, medo persistente, dificuldades de concentração, alterações no sono e sentimentos de desvalorização pessoal.

Quando a violência ultrapassa o casal

A violência conjugal não afeta apenas as pessoas diretamente envolvidas no relacionamento. Crianças que convivem com ambientes marcados por agressividade, intimidação e instabilidade também podem sofrer consequências emocionais e comportamentais.

Mesmo quando não são vítimas diretas das agressões, a exposição à violência pode comprometer a sensação de segurança, influenciar o desenvolvimento emocional e afetar a maneira como essas crianças compreendem os relacionamentos.

Reconhecer a violência é parte do processo de cuidado

Um dos desafios enfrentados por quem vive uma relação abusiva é conseguir reconhecer e nomear aquilo que está acontecendo.

A naturalização de determinados comportamentos, a esperança de mudança do parceiro, o medo, a culpa e a fragilização da autoestima podem dificultar a percepção da violência e a construção de possibilidades de saída.

É importante compreender que a responsabilidade pela violência pertence a quem a pratica. A vítima não precisa assumir a culpa pelas agressões que sofre.

O papel da psicoterapia

A psicoterapia pode oferecer um espaço de acolhimento e escuta qualificada, no qual a pessoa possa compreender suas experiências, reconhecer os impactos da violência e reconstruir gradualmente sua percepção de si mesma.

Esse processo pode envolver:

  • Reconhecimento e nomeação das diferentes manifestações de violência.
  • Compreensão dos impactos emocionais e psicológicos vivenciados.
  • Identificação de sentimentos de culpa, vergonha e desvalorização.
  • Fortalecimento da autonomia e da percepção de segurança.
  • Desenvolvimento de recursos emocionais para lidar com situações difíceis.
  • Construção de possibilidades de proteção e retomada da própria história.

O acompanhamento psicológico precisa respeitar o tempo, as condições e as necessidades de cada pessoa. Não se trata de pressionar alguém a tomar decisões, mas de oferecer condições para que possa compreender sua realidade e reconhecer suas possibilidades.

Sair de uma relação marcada pela violência não é apenas romper um vínculo. É também um processo de reconstrução da segurança, da autonomia e da confiança em si mesma.

A violência não deve ser naturalizada, minimizada ou justificada. Reconhecer o sofrimento é um passo importante para que o cuidado possa começar.




Referência: Marie-France Hirigoyen, A Violência no Casal. Texto elaborado a partir do trecho do capítulo 6 - Por que elas não vão embora? páginas 87-95.


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