Descansar está difícil para você?
O estresse e a ansiedade podem estar por trás disso.
A vida em estado de alerta!
Tenho percebido como o estresse e a ansiedade passaram a fazer parte da nossa vida de maneira quase natural. Acordamos preocupados com o que precisamos resolver, passamos o dia tentando dar conta de tudo e, quando finalmente podemos descansar, nossa cabeça continua ocupada com os problemas de amanhã.
Mas o que acontece conosco? O estresse é uma resposta do nosso organismo e do nosso psiquismo diante das exigências que precisamos enfrentar. Ficamos mais atentos, tensos e preparados para agir. O problema começa quando esse estado deixa de ser passageiro e se torna parte da rotina. A ansiedade, embora esteja relacionada a isso, nos coloca diante de algo que ainda não aconteceu. Antecipamos riscos, imaginamos consequências e tentamos nos preparar para situações que sequer sabemos se irão ocorrer. E, quando esse movimento se torna constante, até o descanso pode ser vivido com inquietação.
É curioso como aprendemos a conviver com isso. Tratamos o cansaço como falta de disposição, a ansiedade como fraqueza e a dificuldade de descansar como um problema individual. Mas basta olhar para as condições em que vivemos para perceber que há razões bastante concretas para tanta preocupação. O trabalho, as dívidas, as exigências familiares e o medo de perder aquilo que conquistamos acabam ocupando até os momentos em que deveríamos estar livres dessas preocupações.
Com o tempo, podemos começar a antecipar problemas que sequer aconteceram. Uma conversa, uma mensagem sem resposta ou uma situação desconhecida passam a despertar sentimentos de ameaça. Nossa imaginação, alimentada pelas experiências que tivemos, começa a encontrar perigos mesmo onde eles não existam. E aquilo que inicialmente era uma tentativa de nos proteger pode acabar por limitar nossas relações, nossas escolhas e até as pequenas satisfações da vida cotidiana.
E me pergunto quantas vezes estamos realmente vivendo aquilo que acontece diante de nós e quantas estamos presos ao medo do que ainda pode acontecer? Até que ponto estamos adoecendo diante de exigências que aprendemos a considerar normais?
É por compreender que nossos sentimentos têm uma história que considero tão importante o acompanhamento psicoterapêutico. Uma boa psicoterapia nos ajuda a investigar como aprendemos a sentir, pensar e agir diante da vida, inclusive quando essas formas de reagir começam a nos fazer sofrer. Esse trabalho exige uma escuta atenta à história de cada pessoa, às suas relações e às condições concretas em que vive. Conhecer as origens do nosso sofrimento, compreender aquilo que podemos transformar e reconhecer os limites que a própria realidade nos impõe são partes fundamentais desse cuidado.
Afinal, ninguém deveria precisar esperar que o sofrimento se torne insuportável para procurar ajuda. Nossa saúde mental merece atenção também quando a vida parece seguir normalmente, mas já nos custa muito mais do que deveria.