Particularidades no atendimento de mulheres
Você já se sentiu culpada por descansar? Ou percebeu que a lista de tarefas de todo mundo à sua volta está sempre na sua cabeça, mas a sua própria vez nunca chega?
Muitas mulheres chegam à terapia assim: cansadas, ansiosas, com a sensação de que, não importa o quanto façam, nunca é suficiente. E, muitas vezes, chegam achando que o problema são elas. É comum a crença de que as necessidades dos outros são maiores ou mais importantes que as próprias, o que gera também demora para buscar ajuda ou até para romper padrões ou relações que são abusivas ou desproporcionais.
De onde vem esse peso
Desde cedo, muitas mulheres aprendem que cuidar é uma obrigação: da casa, dos filhos, dos pais, do trabalho, do humor dos outros. Soma-se a isso a chamada carga mental, o trabalho invisível de lembrar, planejar e antecipar tudo o que precisa ser feito. Quando isso vira rotina, o cansaço deixa de ser pontual e passa a ser um estado constante. A maneira que criamos e socializamos meninos e meninas ainda é bem diferente.
Como isso aparece na clínica
Sem falar de nenhum caso específico, alguns padrões são bastante comuns: culpa ao dizer “não”, dificuldade de pedir ajuda, autocobrança elevada, pensamentos como “eu deveria dar conta” e a sensação de estar sempre em dívida. Também é comum que o sofrimento seja minimizado, por ela mesma ou por quem está ao redor, como se fosse “frescura” ou “coisa de mulher”. Além disso, estatisticamente mulheres são mais vitimas de situações violentas como Violência doméstica, assédio, violência sexual e violência psicológica.
Estatisticamente, mulheres também apresentam maior prevalência em transtornos de ansiedade e de humor, dificuldades relacionadas à imagem corporal, padrões estéticos e transtornos alimentares. Também inclui sofrimentos especificos como ciclo menstrual, TPM/TDPM, gestação, puerpério, abortamento, infertilidade e menopausa. Além do trabalho invisivel da maternidade: envolvendo idealização, ambivalência, depressão pós-parto e a escolha de não ser mãe.
O que a terapia pode oferecer
- Um espaço em que o seu sofrimento é levado a sério, sem julgamento.
- Um lugar para olhar para as crenças que sustentam a autocobrança e entender como elas se formaram.
- Ferramentas para lidar com a culpa e com os pensamentos de “não sou suficiente” sem ser dominada por eles.
- Tempo para refletir sobre o que importa para você, e não apenas sobre o que se espera de você.
Isso não significa abandonar quem você ama nem deixar de lado as suas responsabilidades. Significa construir uma relação mais justa e mais gentil consigo mesma.
Um convite
Se você se identificou com alguma dessas situações, saiba que não está sozinha e que não precisa esperar chegar ao limite para pedir ajuda. Conversar com um profissional de saúde mental pode ser um primeiro passo.