Por que passamos tanto tempo nas redes?
Talvez a resposta não esteja apenas na falta de disciplina ou no excesso de tempo livre. As redes sociais foram desenhadas para prender nossa atenção. Notificações, curtidas, rolagem infinita e recompensas imprevisíveis ativam circuitos ligados à expectativa, ao prazer e à busca por novidade. Mas existe também uma dimensão psíquica mais profunda.
Nas redes, não mostramos apenas quem somos. Muitas vezes, construímos uma imagem: uma persona. Um recorte de nós que tenta ser aceito, validado, desejado ou reconhecido. E, quanto mais sustentamos essa imagem, mais algumas partes podem ficar na sombra: inseguranças, inveja, raiva, comparação, solidão, medo de desaparecer. Por isso, a pergunta talvez não seja apenas “Por que eu uso tanto?” Mas também “O que estou buscando quando volto para a tela?” Validação? Pertencimento? Distração? Alívio? Comparação? Um lugar onde eu possa existir?
As redes não são o problema em si. O ponto é perceber que lugar elas ocupam na nossa vida psíquica. Quando o uso deixa de ser automático, ele pode se tornar pergunta. E, na clínica, essa pergunta pode ganhar palavra, contorno e elaboração.