Ser o que realmente se é
"Não consigo imaginar a melhor definição de beleza do que a pessoa que não tem medo de ser ela mesma." (Autor desconhecido)
Há mais de um século, o filósofo existencialista Søren Kierkegaard já dizia:
"O desespero mais comum é não escolhermos ou não podermos ser nós mesmos, mas a forma mais profunda de desespero é escolhermos ser outra pessoa em vez de nós mesmos."
Kierkegaard nos apresenta uma reflexão sobre o desespero de escolhermos ser outra pessoa, em vez de nós mesmos; de viver uma vida que não é a nossa, de colocar máscaras que escondem o nosso verdadeiro eu.
Veja, muitas vezes vivemos na tentativa de agradar, de nos encaixar, de corresponder e atender a determinadas expectativas alheias às nossas. Pensamos como os outros pensam, agimos e nos comportamos conforme os outros esperam que devamos agir e nos comportar.
Vamos refletir sobre quantas vezes nossas vidas foram guiadas pela tentativa de nos encaixar em expectativas e padrões que nunca foram realmente nossos e, de forma mais ampla, pensar nas consequências que isso trouxe para nossas vidas.
Por outro lado, Kierkegaard nos apresenta uma perspectiva diferente ao afirmar que desejar ser aquele que realmente se é constitui o oposto do desespero.
Aqui, trata-se de uma verdade que se configura na mais profunda responsabilidade do ser humano: a de desejar ser e buscar a verdadeira realidade do seu EU, de forma autêntica e genuína. Não se trata simplesmente de descobrir ou reconhecer uma identidade pronta e acabada, mas de assumir a responsabilidade pela própria existência, reconhecendo nossas possibilidades de ser e existir no mundo.
É uma busca inquietante, muitas vezes dolorosa, mas, ao mesmo tempo, gratificante e profundamente libertadora.
Nela, retiramos a máscara que acreditávamos ser parte do nosso eu e nos permitimos pensar, sentir e existir em prol de sermos verdadeiramente o que somos.
Ser realmente o que se é
A tendência do indivíduo é viver uma relação aberta, verdadeira, harmoniosa e íntima com a própria existência, em um caminho que conduz à aceitação de sua essência.
Nesse percurso, vivenciamos sentimentos e atitudes genuínas, em um processo contínuo de construção de autonomia e autoconfiança. Um movimento fluido e aberto, marcado por constantes mudanças e pela aceitação plena das experiências vividas.
Permita-se ser.
Verdadeiramente ser.