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Terapia e racialidade

Autor Psi. Paloma Cristina De Almeida Cunha
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3 de novembro de 2026
Terapia e racialidade

Quando me apresento como uma profissional que trabalha a raça na clínica, existe uma dúvida sobre o que muda quando falamos sobre a raça na sessão, então decidi colocar alguns tópicos aqui para exemplificar o que muda quando olhamos para a raça na terapia.

Importante a gente lembrar antes que todos somos racializados sejam pretos, pardos ou brancos, todos vivemos experiências a partir da raça, mas existe uma diferença ENORME quando a experiência é de uma pessoa negra para uma pessoa branca.


  1. O primeiro ponto que eu gostaria de trazer é toda pessoa negra vive, viveu ou está vivendo uma experiência onde a cor da sua pele sobrepõe todas as outras características. Quando está num restaurante, numa loja no shopping, dentro dos espaços acadêmicos como escola e universidades, dentro do ambiente de trabalho, no contexto social com amigos e família, na internet interagindo nas redes sociais. E aí nós temos um fenômeno estrutural chamado racismo, o racismo não acontece somente quando alguém ofende uma pessoa negra, ele acontece no olhar torto, na forma como a pessoa se refere ao estilo, cultura, profissão, religião de uma pessoa negra, quando a dor é diminuida ou dada como menos importante e até mesmo nas faltas de oportunidade de crescimento. Isso impacta diretamente na saúde mental e por isso deve ser abordada na terapia.
  2. Segundo ponto o referencial precisa ser diferente e principalmente afrocentrado, ou seja, saberes africanos, cuidados a partir da ética racial, visão social e política da vivência de uma pessoa negra. O modelo ideal de vida e sucesso é hétero, masculino e branco, ou seja, inalcançavel para grande parte da população, principalmente negra. E isso também gera sofrimento psicológico, interfere na forma como você enxerga o mundo e a si própria, muda seus hábitos e comportamentos. Estando numa clínica racializada essas referências tornam se ferramentas de intervenção para a valorização da vida e da cultura negra.
  3. Nem todo sofrimento vem do racismo, mas todo sofrimento é racializado, isso porque como eu falei o racismo é uma estrutura que gera comparação com outras pessoas, impedimento de viver uma vida plena com saúde, educação e lazer, falta de oportunidade para trabalhar, estudar e ou viajar, baixa autoestima, violência, marginalização e comportamentos e sentimentos confusos. Uma clínica racializada busca compreender quais as possibilidades de viver bem apesar da estrutura racial, como podemos viver a partir da valorização de si próprio, como desenvolver um pensamento de autonomia e autoestima.


Na clínica racial a gente não olha somente pro racismo, mas através e apesar dele.

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