Você não é seu diagnóstico em saúde mental.
Tenho estudado como os diagnósticos em saúde mental, que deveriam ajudar a compreender o sofrimento, podem acabar reduzindo uma pessoa a um transtorno.
Isso pode acontecer quando o próprio paciente, a família ou até o profissional passa a enxergar tudo sobre aquela pessoa a partir do diagnóstico.
Como se ter depressão, por exemplo, explicasse tudo o que ela é.
Quando um diagnóstico se torna parte de toda a identidade de alguém, ele deixa de ser apenas uma forma de compreender o sofrimento e passa a definir quem essa pessoa acredita ser.
Dar um nome ao que sentimos pode trazer alívio. Finalmente, parece que conseguimos entender o que está acontecendo conosco.
O problema começa quando esse nome passa a explicar tudo.
A pessoa deixa de enxergar suas possibilidades e começa a olhar para si mesma apenas pelo diagnóstico. Tudo o que ela é, sente e ainda pode viver fica em segundo plano.
Aos poucos, ela pode começar a acreditar que já está completamente explicada, como se não houvesse mais nada a descobrir sobre si mesma.
Mas uma pessoa é muito mais do que aquilo que está vivendo hoje.
Nenhum diagnóstico consegue explicar tudo o que alguém é.
Estamos sempre mudando, vivendo novas experiências e descobrindo outras possibilidades. Um diagnóstico pode ajudar a compreender parte do nosso sofrimento, mas não precisa definir o nosso futuro.
Na minha abordagem na psicologia clínica, nós não reduzimos o paciente a um diagnóstico, apesar de reconhecermos a importância dele.
Você teve uma infância, uma família, lugares que gostou e não gostou, surpresas, desafios, alegrias.
Antes do diagnóstico sua história já existia, e depois, vai continuar existindo ;)