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Porque fazer terapia?

Autor Psi. Thais
6 de julho de 2026

É comum que as pessoas procurem terapia apenas quando estão vivendo uma crise: ansiedade, tristeza intensa, dificuldades nos relacionamentos ou um momento de grande sofrimento. Embora a psicoterapia seja um recurso importante nesses momentos, ela vai muito além de "resolver problemas". Fazer terapia também é uma forma de desenvolver autoconhecimento, compreender padrões de comportamento e construir uma relação mais saudável consigo mesmo.

Na psicanálise, o sofrimento não é visto apenas como algo que precisa ser eliminado rapidamente. Muitas vezes, os sintomas carregam uma história. Eles podem ser uma forma de expressar conflitos, desejos ou experiências que não encontram outro modo de serem colocados em palavras. Em vez de oferecer respostas prontas, o processo terapêutico convida a pessoa a falar e, principalmente, a se escutar.

Ao longo da vida, todos construímos maneiras particulares de lidar com perdas, frustrações, expectativas e relações. Algumas dessas formas nos ajudam; outras acabam se repetindo, mesmo quando já não fazem sentido. A terapia oferece um espaço seguro para reconhecer esses padrões e criar novas possibilidades de escolha.

Diversas pesquisas mostram que a psicoterapia está associada à redução de sintomas de ansiedade e depressão, melhora da qualidade de vida, fortalecimento das habilidades emocionais e dos relacionamentos interpessoais (Cuijpers et al., 2023; APA, 2012). Isso significa que seus benefícios não se restringem ao tratamento de transtornos mentais, mas também contribuem para o bem-estar psicológico de forma ampla.

Na perspectiva psicanalítica, talvez a maior mudança não seja deixar de sentir, mas compreender o sentido do que se sente. Quando algo deixa de ser apenas um sofrimento repetitivo e passa a ser elaborado por meio da palavra, abre-se espaço para que a pessoa viva de maneira mais livre e menos determinada por histórias que antes permaneciam inconscientes.

Fazer terapia não é sinal de fraqueza nem um privilégio reservado para quem enfrenta grandes crises. É um investimento em saúde mental e uma oportunidade de conhecer melhor a própria história, compreender seus desejos e encontrar formas mais conscientes de lidar com os desafios da vida.


Referências

AMERICAN PSYCHOLOGICAL ASSOCIATION. Recognition of psychotherapy effectiveness. American Psychologist, v. 67, n. 2, p. 102–109, 2012.

CUIJPERS, P. et al. Psychotherapy for depression across different age groups: a systematic review and meta-analysis. World Psychiatry, v. 22, n. 1, p. 105–115, 2023.

FREUD, S. Conferências introdutórias à psicanálise (1916-1917). In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago.

LACAN, J. O Seminário, Livro 11: Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008.

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