Quando a ansiedade se senta na mesa
Tem uma cena que eu já ouvi diversas variações na clínica: a pessoa manda uma mensagem, o outro demora um pouco mais pra responder, e em poucos minutos a mente já escreveu um roteiro inteiro. "Será que fiz algo errado?" "Será que se cansou de mim? Perdeu o interesse?" "Melhor eu mandar mais uma mensagem pra ver se tá tudo bem." "Deve estar me traindo".
Se isso te soou familiar, talvez a ansiedade tem sido uma terceira presença na mesa de jantar.
A ansiedade não é a vilã da história
Antes de qualquer coisa: sentir ansiedade em um relacionamento não significa que você é "difícil demais" ou "carente demais". Ela é, na maioria das vezes, um sistema de alerta fazendo exatamente o que aprendeu a fazer.
Se em algum momento da sua história — na infância, numa relação passada, etc — o afeto foi inconsistente, ou o silêncio do outro lado veio acompanhado de algo ruim, seu corpo aprendeu uma lição bem lógica: preciso me manter atento pra não passar por aquilo de novo. Isso é condicionamento, é reforço, é aprendizagem. É a forma que a sua mente aprendeu de te proteger.
Por um tempo, isso te protegeu mesmo. Funcionou e, quando algo funciona, a tendência é repetir. Mas o que te protegeu no passado pode agora estar só te prejudicando.
O problema não é sentir a pontada de ansiedade quando uma resposta demora. O problema é o que a gente faz depois dela — e ali mora quase todo o sofrimento extra que nós mesmas criamos.
A armadilha do alívio rápido
Quando a ansiedade aperta, a gente busca alívio. É humano, é automático. Manda mais uma mensagem pra pessoa, questiona. Checa o Instagram dela pela décima vez. Pede pra amiga ler a conversa e dizer se "parece estranho". Pesquisa na internet se é sinal de desinteresse e/ou traição. Essas ações até funcionam, te dão um alívio. E é exatamente aí que está a armadilha: o alívio reforça o comportamento. Se te fez se sentir melhor, automaticamente você vai fazer a mesma coisa nas próximas vezes. Então quando a ansiedade aparece de novo, o impulso de checar/perguntar/confirmar vem ainda mais forte. Você não tem sentido um aumento na ansiedade por acaso - você está alimentando isso.
Isso não é motivo pra culpa, mas sim pra curiosidade: "o que eu ando fazendo, sem querer, que está mantendo esse ciclo?"
E o que fazer com isso?
Não vou te dizer "só confia mais" ou "para de pensar tanto" - se fosse simples assim você já teria feito.
1. Nomeie o que está acontecendo, sem se fundir com isso. Em vez de "não gosta mais de mim", experimente dizer: "estou tendo o pensamento de que essa pessoa não gosta mais de mim". Pode parecer inútil, mas é a diferença entre estar dentro do pensamento tomando-o como fato e conseguir olhar pra ele de fora, vendo-o como o que realmente é: um pensamento. Não necessariamente um fato.
2. Deixe o desconforto existir por mais alguns minutos antes de agir. Não é sobre nunca mandar a mensagem. É tolerar o desconforto e ter um respiro entre o gatilho e a ação. É nessa pausa que você escolhe como agir e não vai só pelo impulso, pelo automático.
3. Pergunte-se: essa ação me aproxima da relação que eu quero ter, ou só me dá um alívio momentâneo? Ficar checando a rede social pode aliviar o desconforto na hora, mas te deixar pior a longo prazo. Uma conversa honesta sobre o que você está sentindo é mais difícil e desconfortável, mas caminha na construção de um vínculo real.
Não é sobre mandar a ansiedade embora
A ansiedade é uma resposta natural do corpo diante de situações ameaçadoras; não temos como simplesmente desativá-la. Mas podemos aprender a lidar melhor com ela e consequentemente diminuir o desconforto que nos causa.
É importante um espaço entre o sentir e o agir para que quem decida o próximo passo seja você e não o alarme automático tentando te proteger de um perigo que pode nem estar ali.
Tem uma cena que eu já ouvi diversas variações na clínica: a pessoa manda uma mensagem, o outro demora um pouco mais pra responder, e em poucos minutos a mente já escreveu um roteiro inteiro. "Será que fiz algo errado?" "Será que se cansou de mim? Perdeu o interesse?" "Melhor eu mandar mais uma mensagem pra ver se tá tudo bem." "Deve estar me traindo".
Se isso te soou familiar, talvez a ansiedade tem sido uma terceira presença na mesa de jantar.
A ansiedade não é a vilã da história
Antes de qualquer coisa: sentir ansiedade em um relacionamento não significa que você é "difícil demais" ou "carente demais". Ela é, na maioria das vezes, um sistema de alerta fazendo exatamente o que aprendeu a fazer.
Se em algum momento da sua história — na infância, numa relação passada, etc — o afeto foi inconsistente, ou o silêncio do outro lado veio acompanhado de algo ruim, seu corpo aprendeu uma lição bem lógica: preciso me manter atento pra não passar por aquilo de novo. Isso é condicionamento, é reforço, é aprendizagem. É a forma que a sua mente aprendeu de te proteger.
Por um tempo, isso te protegeu mesmo. Funcionou e, quando algo funciona, a tendência é repetir. Mas o que te protegeu no passado pode agora estar só te prejudicando.
O problema não é sentir a pontada de ansiedade quando uma resposta demora. O problema é o que a gente faz depois dela — e ali mora quase todo o sofrimento extra que nós mesmas criamos.
A armadilha do alívio rápido
Quando a ansiedade aperta, a gente busca alívio. É humano, é automático. Manda mais uma mensagem pra pessoa, questiona. Checa o Instagram dela pela décima vez. Pede pra amiga ler a conversa e dizer se "parece estranho". Pesquisa na internet se é sinal de desinteresse e/ou traição. Essas ações até funcionam, te dão um alívio. E é exatamente aí que está a armadilha: o alívio reforça o comportamento. Se te fez se sentir melhor, automaticamente você vai fazer a mesma coisa nas próximas vezes. Então quando a ansiedade aparece de novo, o impulso de checar/perguntar/confirmar vem ainda mais forte. Você não tem sentido um aumento na ansiedade por acaso - você está alimentando isso.
Isso não é motivo pra culpa, mas sim pra curiosidade: "o que eu ando fazendo, sem querer, que está mantendo esse ciclo?"
E o que fazer com isso?
Não vou te dizer "só confia mais" ou "para de pensar tanto" - se fosse simples assim você já teria feito.
1. Nomeie o que está acontecendo, sem se fundir com isso. Em vez de "não gosta mais de mim", experimente dizer: "estou tendo o pensamento de que essa pessoa não gosta mais de mim". Pode parecer inútil, mas é a diferença entre estar dentro do pensamento tomando-o como fato e conseguir olhar pra ele de fora, vendo-o como o que realmente é: um pensamento. Não necessariamente um fato.
2. Deixe o desconforto existir por mais alguns minutos antes de agir. Não é sobre nunca mandar a mensagem. É tolerar o desconforto e ter um respiro entre o gatilho e a ação. É nessa pausa que você escolhe como agir e não vai só pelo impulso, pelo automático.
3. Pergunte-se: essa ação me aproxima da relação que eu quero ter, ou só me dá um alívio momentâneo? Ficar checando a rede social pode aliviar o desconforto na hora, mas te deixar pior a longo prazo. Uma conversa honesta sobre o que você está sentindo é mais difícil e desconfortável, mas caminha na construção de um vínculo real.
Não é sobre mandar a ansiedade embora
A ansiedade é uma resposta natural do corpo diante de situações ameaçadoras; não temos como simplesmente desativá-la. Mas podemos aprender a lidar melhor com ela e consequentemente diminuir o desconforto que nos causa.
É importante um espaço entre o sentir e o agir para que quem decida o próximo passo seja você e não o alarme automático tentando te proteger de um perigo que pode nem estar ali.
Mayara Veronez de Araújo
CRP 06/159396
@mayvpsico