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A vida que nunca parece suficiente

Autor Psi. Ana Julia Soares
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4 de agosto de 2026

Vivemos em uma época em que tudo parece urgente. Precisamos responder rapidamente, produzir mais, estudar mais, trabalhar mais, cuidar do corpo, viajar, ter uma vida social ativa e, de preferência, registrar tudo isso nas redes sociais.

Sem perceber, vamos vivendo no automático.

Os dias passam, as tarefas são cumpridas, mas, em algum momento, surge uma pergunta silenciosa: "Por que continuo me sentindo insuficiente?"

A ansiedade contemporânea não nasce apenas do excesso de compromissos. Ela também pode surgir da constante comparação com uma realidade cuidadosamente editada. Nas redes sociais, vemos conquistas, corpos, relacionamentos, viagens e rotinas que parecem perfeitas. Aos poucos, começamos a acreditar que essa deveria ser a nossa vida também.

Mas... o que é, de fato, uma vida real?

A vida real não acontece apenas nos momentos que cabem em uma fotografia. Ela também é feita de dúvidas, perdas, cansaço, inseguranças, dias comuns e mudanças inesperadas.

Na Psicologia Analítica, Carl Gustav Jung nos lembra que existe uma diferença entre aquilo que mostramos ao mundo e aquilo que realmente somos. Chamamos de Persona essa "máscara" social que utilizamos para nos relacionar com os outros. Ela é necessária para convivermos em sociedade, mas pode se tornar um problema quando passamos a acreditar que somos apenas essa imagem.

Quanto mais tentamos sustentar uma Persona idealizada, de alguém sempre produtivo, feliz, forte e bem-sucedido , mais nos afastamos da nossa experiência interna. E esse afastamento pode aparecer justamente na forma de ansiedade, vazio e sensação constante de inadequação.

Talvez o sofrimento não esteja apenas na velocidade da vida moderna, mas na distância que criamos entre quem acreditamos que deveríamos ser e quem realmente somos.

O processo terapêutico convida justamente ao movimento contrário.

Em vez de perguntar "Como posso parecer melhor?", começamos a perguntar:

"Quem sou eu quando não preciso corresponder às expectativas dos outros?"

Essa não é uma resposta que encontramos em um post, em um vídeo curto ou na validação de quem nos acompanha. É uma construção lenta, feita de autoconhecimento, contato com as próprias emoções e reconhecimento da própria história.

Talvez viver de forma mais autêntica não signifique fazer menos, mas deixar de viver apenas para atender expectativas externas.

Porque, no fim, uma vida real não é aquela que parece perfeita.

É aquela em que existe espaço para ser humano.

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